Debate do Diário Popular

No dia 27, o Diário Popular (jornal local) promoveu um debate com todos os candidatos à prefeitura de Pelotas. O debate, transmitido ao vivo pelo Facebook, conseguiu mobilizar um pouco mais a mídia social do que os debates anteriores. Coletei todos os comentários do post (pouco mais de 8 mil) e analisei como os conceitos associados aos candidatos estavam presentes.

Os grupos indicam conceitos que tenderam a aparecer juntos(por exemplo, se quem falou em “A” também falou em “B” no mesmo comentário, a tendência é que A e B apareçam conectados). O tamanho das palavras indica a frequencia nos dados (quanto maior, mais foi citado).

Debate DP

Discurso dos candidatos no Facebook: Miriam Marroni

Encerrando a sequência de análises do discurso dos candidatos à prefeitura de Pelotas no Facebook, hoje são observadas as publicações de Miriam Marroni. As postagens de Paula Mascarenhas, Anselmo Rodrigues e Jurandir Silva já foram analisadas.

Para esta análise, foram coletadas as publicações da fanpage da campanha de Miriam Marroni, do PT, entre 1º e 22 de setembro. A coleta foi realizada com o auxílio do software NodeXL. Em seguida, os dados foram processados no site textometrica para a análise de contingência, formando 1652 coocorrências a partir de 53 conceitos. Com a utilização do software Gephi, foi gerado um grafo que representa as relações entre os conceitos.

Duas métricas foram medidas para a formação do grafo: o grau, número de conexões de um nó, representado pelo tamanho do nó; e a modularidade, que forma grupos de acordo com as conexões entre os conceitos, representados pelas cores dos nós. O algoritmo utilizado para gerar o grafo foi o Force Atlas, que aproxima os grupos e centraliza os nós de maior grau.

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Grafo 1. Termos mais utilizados por Miriam no Facebook (clique na imagem para abrir em uma resolução maior).

As publicações de Miriam formaram o grafo com mais conexões entre os quatro candidatos analisados. A partir dos conceitos, foram gerados três grupos. Assim como Paula e Anselmo, Miriam possui um grupo apenas com hashtags (o verde). Diferente dos outros candidatos, porém, o grupo de hashtags é mais central e possui nós de alto grau, mostrando que foi uma ferramenta utilizada recorrentemente e em diversos contextos.

O grupo laranja apresenta fundamentalmente um discurso de crítica ao governo atual. O conceito “problemas” aparece em várias situações, denunciado problemas da cidade e dos bairros, como transporte público, atendimento de saúde e segurança pública. O conceito “prioridade” também aparece em contextos semelhantes, questionando a falta de atenção do governo a muitas regiões da cidade, além de afirmar que o dinheiro da cidade não é utilizado para áreas prioritárias, como saúde e educação.

Outro conceito que aparece em contextos próximos é “propaganda”. Miriam questiona “os R$ 3 milhões gastos com propaganda”. Este conceito também aparece em um sentido de crítica aos programas eleitorais de Paula, atual vice-prefeita, indicando que a propaganda mostra uma Pelotas que não existe, utilizando em algumas situações a #PelotasDaFantasia.

No mesmo sentido aparece o conceito “verdade”. Miriam afirma em diversas situações que “Pelotas quer mudar de verdade”, mais uma vez questionando a gestão atual, que afirma estar mudando a cidade. “Verdade” também aparece associado ao investimento “de verdade” na saúde e outras áreas (como esporte e cultura, conceitos do grupo roxo).

Enquanto o grupo laranja possui um discurso mais focado na crítica ao atual governo, o grupo roxo apresenta mais elementos relacionados com propostas e programa de governo. Isto pode ser observado pela presença de conceitos como “propostas”, “campanha”, “projetos” e “compromisso”. O conceito “vamos” também aparece neste sentido, com Miriam afirmando o que vai fazer caso eleita.

O conceito “melhorar” também aparece relacionado com propostas da candidatura de Miriam. Os contextos onde é utilizado, porém, geralmente estão relacionados com críticas ao atual governo, mostrando os problemas e prometendo melhorar. O conceito “precisa” também é utilizado em situações semelhantes.

O que se pode ver, de modo geral, é que o discurso de Miriam tem forte crítica ao governo atual. Isto está representado especialmente no grupo laranja. Mesmo no grupo roxo, onde estão presentes propostas e planos de governo, o discurso de oposição também ocupa uma posição forte, mostrando sempre os problemas para apontar soluções propostas.

Discurso dos candidatos no Facebook: Jurandir Silva

O terceiro candidato a ter seu discurso no Facebook analisado é Jurandir Silva, do PSOL. Já foram publicadas as análises de Paula Mascarenhas e Anselmo Rodrigues. Amanhã será a vez de Miriam Marroni.

Coletou-se todas as publicações da página de Jurandir Silva no Facebook entre 1º e 22 de setembro. Para isto, foi utilizado o software NodeXL. Os dados foram processados no site textometrica, que busca coocorrências entre conceitos para a análise de contingência. Foram selecionados 29 conceitos que resultaram em 204 coocorrências. Em seguida, utilizou-se o software Gephi para a formação de um grafo que representa as relações entre os conceitos.

Duas métricas foram medidas para a formação do grafo: o grau, número de conexões de um nó, representado pelo tamanho do nó; e a modularidade, que forma grupos de acordo com as conexões entre os conceitos, representados pelas cores dos nós. O algoritmo utilizado para gerar o grafo foi o Force Atlas, que aproxima os grupos e centraliza os nós de maior grau.

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Grafo 1. Termos mais utilizados por Jurandir no Facebook (clique na imagem para abrir em uma resolução maior).

A partir dos cálculos de modularidade foram formados quatro grupos entre os conceitos analisados. Diferentemente dos candidatos anteriores, no discurso de Jurandir não há um grupo apenas com hashtags.

Antes de uma análise específica dos grupos, é interessante citar que, também diferente do que ocorreu com os outros candidatos, o nome de Jurandir (ou de Roberta, sua vice) não é um nó central no grafo. Isto caracteriza um discurso mais direto, que não apresenta tantas referências aos assessores de comunicação, responsáveis frequentemente pelo gerenciamento de redes sociais em campanhas políticas. Não necessariamente foi Jurandir o responsável pela maioria das publicações, mas o sentido gerado por uma interlocução mais direta é esse.

A característica de uma campanha mais próxima do eleitor é evidenciada no grupo verde (parte superior do grafo). Jurandir convida o eleitor a “participar” de uma “campanha colaborativa”, enviando “fotos” e explicando porque vai “votar” no PSOL. O material enviado pelos eleitores é, então, publicado nas “redes sociais” da campanha. Este aspecto é relevante por dois motivos: evidencia a participação popular e o engajamento de militância; e tenta solucionar o pouco tempo de propaganda gratuita de Jurandir na televisão e no rádio.

Mesmo no grupo roxo, mais central e diversificado do grafo, onde estão alguns conceitos mais gerais (como “Pelotas”, “candidatura” e “programa”), a questão popular é marcada. Os conceitos “juntos” e “construir” aparecem frequentemente na frase: “Vamos juntos construir a Pelotas que merecemos” – incluindo também o conceito “merece”. O conceito “compartilha” também convida à participação dos apoiadores da campanha.

Outro elemento presente no grupo roxo pode ser observado pelo conceito “mudança”, relacionado também com o conceito “merece”. Jurandir afirma em diversas situações que “Pelotas merece mudanças”, trazendo um sentido de oposição ao governo atual e propondo uma nova forma de gestão.

No grupo laranja os conceitos “democratização”, “cultural” e “atividades” definem uma das bandeiras defendidas pela chapa de Jurandir, a ampliação de atividades culturais de maneira mais democrática, sendo oferecida gratuitamente em “bairros periféricos”.

Ainda se pode observar no grupo azul a oposição ao governo de Michel Temer. A relação entre os conceitos “fora” e “Temer” deixam isso claro. “Popular” também está associada aos conceitos porque Jurandir convoca seus seguidores para uma assembleia popular contra o presidente.

Em resumo, percebe-se que o discurso produzido por Jurandir no Facebook tem como característica uma interlocução mais direta, eliminando a maior parte de elementos que possam identificar uma assessoria de comunicação e incentivando a interação de seus apoiadores e militantes. Jurandir ainda se apropria de um discurso mais popular, propondo uma construção conjunta com a sociedade e defendendo acesso à cultura também em bairros periféricos.

Discurso dos candidatos no Facebook: Anselmo Rodrigues

Continuando a sequência de análises sobre o discurso dos candidatos à prefeitura de Pelotas no Facebook, hoje é dia de observar as postagens de Anselmo Rodrigues. Ontem foi publicada a análise sobre o que Paula Mascarenhas tem falado, amanhã e sexta serão observadas, respectivamente, as postagens de Jurandir Silva e Miriam Marroni.

Para esta análise, foram coletadas todas as publicações da fanpage oficial da campanha de Anselmo Rodrigues, do PDT, no Facebook entre 1º e 22 de setembro. A coleta foi realizada com o auxílio do software NodeXL. Em seguida, os textos foram inseridos no site textometrica para a análise de contingência, gerando 237 coocorrências a partir da classificação de 33 conceitos. Por fim, foi formado um grafo no software Gephi, construindo a representação das relações entre os conceitos.

Duas métricas foram medidas para a formação do grafo: o grau, número de conexões de um nó, representado pelo tamanho do nó; e a modularidade, que forma grupos de acordo com as conexões entre os conceitos, representados pelas cores dos nós. O algoritmo utilizado para gerar o grafo foi o Force Atlas, que aproxima os grupos e centraliza os nós de maior grau.

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Grafo 1. Termos mais utilizados por Anselmo no Facebook (clique na imagem para abrir em uma resolução maior).

A partir dos cálculos de modularidade, é possível identificar três grupos no grafo gerado. O grupo representado pela cor roxa é mais geral e heterogêneo, o grupo de cor verde é composto apenas pelas hashtags utilizadas, já o grupo laranja representa um discurso mais interligado em si. Tendo isto em vista, parece interessante começar a análise a partir dos conceitos que formam o grupo laranja.

Um dos aspectos relevantes que pode ser observado no grupo laranja é a ligação entre os dois conceitos de maior grau: “Governaço” e “povo”. Uma frase comum nas publicações de Anselmo é “vamos fazer um Governaço pelo povo”, que insere também o conceito “fazer”, presente neste grupo – “juntos” também aparece em alguns contextos. Esta frase é cheia de significado. Anselmo é também conhecido pela alcunha de Governaço em função do bordão que lançou em sua primeira eleição municipal, em 1988. O termo Governaço carrega consigo um sentido de proximidade do povo e dos mais pobres, por isso é importante de ser observado. O conceito “homem” se aproxima de “povo” porque Anselmo frequentemente denomina-se como “homem do povo”. Este primeiro grupo analisado já demonstra um caráter de discurso populista, referenciando frequentemente a questão do governo pelo povo e de Anselmo ser homem do povo.

Identificando ainda um discurso populista, pode-se destacar conceitos do grupo maior (roxo). “Abraço”, “carinho” e “selfie” são sempre utilizados em contextos onde Anselmo está no meio do povo, recebendo abraços ou tirando selfies (muitas são enviadas pelos próprios eleitores e reproduzidas na fanpage). As coberturas de caminhadas geralmente são acompanhadas dos conceitos acima, reforçando a boa relação de Anselmo com o povo. “Vila”, “bairro” e “moradores” também aparecem com alguma frequência nestes contextos.

O nó de Rafael Amaral, presente no grafo com um alto grau de conexões, demonstra o destaque dado ao candidato a vice-prefeito. O conceito surge em diversos contextos, como na relação com “selfie”, também mostrando Rafael Amaral em proximidade com o povo, e “futuro”, apresentando confiança na eleição dos dois. Este contexto também aparece na relação com o conceito “vai”, fazendo referência ao que Anselmo e Rafael vão mudar caso eleitos.

Pode-se, por fim, citar dois conceitos relacionados com críticas à gestão atual da prefeitura. “Realidade” tem ligações com conceitos como “vila” e “bairro” e destaca que a realidade destes espaços é preocupante e precisa mudar. Já “descaso” aparece conectado também “saúde” e “educação”, além das conexões com “vila” e “bairro”.

De modo geral, pode-se afirmar que Anselmo Rodrigues mantém um discurso populista, tentando destacar a proximidade com o povo, pelo bordão “Governaço” e por auto denominar-se “homem do povo”, além de destacar a recepção que ele e seu vice, também referência importante na campanha, recebem da população pelotense, especialmente em vilas e bairros. Há também o discurso de crítica ao governo atual, citando o descaso na saúde, educação e outras áreas, principalmente nas regiões mais pobres.

Discurso dos candidatos no Facebook: Paula Mascarenhas

Falta menos de uma semana para o dia da votação das eleições municipais. Por isso, essa semana vamos publicar diariamente análises sobre o que os candidatos à prefeitura de Pelotas estão falando no Facebook.

Nesta primeira publicação foram analisadas as publicações de Paula Mascarenhas, candidata do PSDB, entre os dias 1º e 22 de setembro. Até sexta vamos publicar também as análises das páginas de Anselmo Rodrigues, Jurandir Silva e Miriam Marroni.

No período acima definido foram coletadas todas as publicações realizadas na fanpage de Paula por meio do software NodeXL. Os dados foram processados no site textometrica para possibilizar uma análise de contingência entre os termos mais utilizados. Foram criados 48 conceitos a partir dos termos coletados, gerando 568 coocorrências. Por fim, foi formado um grafo no software Gephi para representar as relações entre os conceitos.

Duas métricas foram medidas para a formação do grafo: o grau, número de conexões de um nó, representado pelo tamanho do nó; e a modularidade, que forma grupos de acordo com as conexões entre os conceitos, representados pelas cores dos nós. O algoritmo utilizado para gerar o grafo foi o Force Atlas, que aproxima os grupos e centraliza os nós de maior grau.

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Grafo 1. Termos mais utilizados por Paula no Facebook (clique na imagem para abrir em uma resolução maior).

A formação de apenas dois grupos mostra um alinhamento padrão no discurso de Paula no Facebook. Ou seja, mesmo tratando sobre temas diferentes, a candidata mantém a utilização dos mesmos termos ou de termos semelhantes. O grupo menor, inclusive, é formado apenas pelas hashtags.

Alguns conceitos podem ser destacados para ilustrar o tipo de discurso produzido por Paula no período analisado. A alta frequência de “Eduardo Leite”, “nosso” e “governo” mostra a constância que Paula resgata elementos da gestão atual, em que é vice-prefeita de Eduardo Leite, nas publicações. O termo “continuar” fortalece o discurso de continuidade do governo, tendo ligação forte aos conceitos que envolvem “mudança”, aparecendo frequentemente como “continuar mudando” nas publicações de Paula. Outro conceito alinhado com esse discurso é “UPA” (Unidade de Pronto Atendimento), um dos trunfos do governo de Eduardo e Paula.

Algumas expressões são muito frequentes no discurso de Paula, uma delas também mencionando a gestão atual: a conexão entre “parar” e “mudança” se dá pela frequente utilização da frase “A mudança não pode parar”. Outras expressões podem ser vistas a partir dos conceitos “vem”, “seguir”, “gente”, “frente” e “avançar”. Estas são utilizadas como frases de suporte à campanha, como “vem seguir em frente”, “vem com a gente” e “vem pra Pelotas avançar”, também representadas nas hashtags.

Os temos “policiamento”, “segurança”, “escolas”, “saúde”, “educação”, “propostas” e “programa” mostram que é frequente a apresentação de propostas de governo, assim como a relação destas propostas com o que foi feito pela gestão atual.

O termo “mulheres” também pode ser destacado. É utilizado por Paula em uma sequência de publicações que disponibiliza imagens com nomes de mulheres e o logo da campanha de Paula. Estas publicações são relevantes porque reforçam a questão do gênero na discussão, propondo Paula como a primeira prefeita mulher de Pelotas.

Por fim, é interessante destacar que os termos utilizados por Paula para se referir aos eleitores são normalmente “pessoas”, “moradores” e “pelotenses” e com uma menor frequência “povo”. Isto mostra que o discurso populista não é muito comum nas publicações de Paula.

Em geral, se pode observar nas publicações de Paula que é frequente a referência ao governo atual, mantendo um discurso de continuidade. Propostas também são apresentadas, muitas vezes alinhadas com o que tem sido feito. A questão de gênero também é levantada, podendo gerar identificação de mulheres com a candidatura de Paula.

O projeto Monitor das Eleições

O ano de 2016 é de eleições municipais. O mês de outubro, data de votação do primeiro turno, se aproxima e as campanhas eleitorais estão em andamento.

Nestas camlogo-monitor-das-eleicoes-2016-tamanho-2panhas, as mídias sociais são muito utilizadas pelos candidatos. Por isso, o projeto Monitor das Eleições acompanha a atuação dos políticos nestes espaços. O projeto surgiu em 2012 e observou as eleições municipais em Pelotas, em 2014 foi a vez das eleições presidenciais. Na edição de 2016 o foco são os candidatos às prefeituras de Pelotas e de Porto Alegre.

A coleta de dados acontece semanalmente em dois sites: o Facebook e o Twitter. Semanalmente o site do Monitor é atualizado e apresenta as informações de cada candidato e comparativo entre todos. As coletas são realizadas por membros do MIDIARS e alunos voluntários dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Pelotas.

O projeto é apartidário, nenhum dos envolvidos está vinculado a partidos políticos. O projeto também não faz pesquisa eleitoral, apenas divulga dados públicos sistematizados que podem gerar informações para que o público em geral possa observar o uso das mídias sociais pelos candidatos.

Clique no link a seguir para conhecer o site do Monitor e acompanhe o as novidades sobre o monitoramento nas páginas do projeto no Twitter e no Facebook.

O discurso de Dilma no Senado

Os termos mais usados por Dilma Rousseff em seu pronunciamento inicial ao plenário do Senado Federal

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Figura 1. Imagem ilustrativa representando todas as palavras no discurso de Dilma Rousseff

O dia 29 de agosto de 2016 entra para a história do País como o dia em que a presidente da República Dilma Rousseff se posiciona em frente ao Senado Federal e ao STJ para depor em sua defesa no processo de impeachment. Após o período em que foi aberto o julgamento, a segunda-feira foi marcada pela presença da presidente afastada no plenário, para apresentar sua defesa e responder aos questionamentos de todos os senadores proponentes presentes.

De forma objetiva, trazemos as palavras com maior frequência de co-ocorrência no discurso de Dilma na manhã do dia 29, e como elas se conectam na fala da então presidente afastada. (clique no grafo para ver maior)

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Grafo 1. representação de co-ocorrências de palavras no discurso de Dilma

O primeiro grafo apresenta de forma normalizada as ocorrências no discurso. Em primeira instância, especificamente em vermelho no grafo, observamos processo e lei sendo bastante citados, e conectados a palavra impeachment. Tais termos ocorrem especialmente em trechos como

“Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment.”

Lei está fortemente conectada a responsabilidade e fiscal, como em

“Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito  rural Plano Safra, equivale a uma “operação de crédito”, o que estaria vedado pela lei de Responsabilidade Fiscal.”

Ainda neste grupo discursivo, outra conexão forte é a que leva as palavras crime e responsabilidade, como apresenta o início do trecho a seguir, que segue com o exemplo de como crime, processo e acusada também se conectam na rede de palavras:

“Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade. Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.”

Já em relação a principal conexão entre Constituição e processo, está o momento em que Dilma fala sobre o que, segundo ela, é o foco do processo de impeachment, e também sobre a acusação de edição de três decretos de crédito suplementar:

“O que está em jogo no processo  de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição.”

“A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional.”

Em azul no grafo estão conectadas duas palavras bastante aparentes no discurso: respeito e julgamento, que usamos como forma de conceituar também julgadores. A seguir, um dos trechos em que ambas as formas aparecem juntas:

“Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores  chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito , mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores.”

Tais termos aparecem também em outro sentido para respeito:

“Não há respeito  ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores  é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa.”

Seguindo a apresentação dos dados, observamos agora o mesmo grafo, porém em uma distribuição diferente para a visualização dos dados. Aqui vemos os mesmos grupos, coloridos da mesma forma, porém separando as esferas discursivas dentro da narrativa. (clique no grafo para ver maior)

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Grafo 2. Representação de co-ocorrências de palavras no discurso de Dilma em agosto de 2016

Em laranja no grafo, observamos a ligação de palavras como povo e governo. Observando o discurso, entendemos que Dilma enfatiza a importância de eleições diretas como um sinal da Democracia, e cita como exemplo oposto a isso o governo interino de Michel Temer, como descreve o trecho a seguir:

“A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o País. Um governo  que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.”

Logicamente, Dilma também usou governo para falar da própria administração frente ao país, e novamente relacionou ao povo e a brasileiro, que unimos no grafo em um termo só pelo seu plural:

“Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o País e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo  viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período.”

Outra conexão entre país e brasileiros foi quando Dilma Rousseff falou sobre uma possível chamada de novas eleições, caso seja absolvida:

“Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso país.”

Em verde, entendemos que o discurso de Dilma teve conexões fortes entre as palavras democracia e direito. Neste sentido, há um trecho do discurso em que ela fala sobre as mulheres brasileiras e a luta das mesmas pela democracia:

“Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia  e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.”

Seguindo com a democracia, o discurso integra luto, de lutar, a democracia, verdade e justiça, como no trecho em questão:

“Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu país, pelo seu bem-estar.”

Usando direito no sentido de Estado de Direito, a presidente em julgamento conecta o termo à presidência da República, país e democracia.

“Exercendo a presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.”

De forma geral, as palavras mais utilizadas por Dilma tiveram forte conexão entre si, independentemente dos grupos discursivos formados e observados aqui. Trechos como o que apresentamos a seguir mostram uma defesa marcada por um discurso que usou desde o histórico político pessoal da presidente afastada, até a motivação considerada para a votação do impeachment por parte de congressistas e senadores. Apoio, luta, brasileiras e brasileiros, luta contra o golpe são marcas do discurso de Dilma Rousseff, e que tomaram parte em seu pronunciamento no Senado nesta manhã.

“Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superadas, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo país  afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo  esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe.”

Observamos neste post como as palavras mais frequentes no discurso de Dilma se conectam em sua narrativa. Vale lembrar que os grafos não representam todas as palavras presentes na fala, mas as principais que têm conexões fortes entre si. Para um estudo mais completo, seria necessário a observação e avaliação dos dados não somente nos grafos, mas também em seu contexto, ou seja, o discurso na íntegra.

Fontes para o texto do discurso na íntegra: Agência Brasil Revista Fórum e Clicrbs.

Metodologia
Formatação e filtro: Textometrica
Formatação de grafos e análise: Gephi

#SomosTodosParalímpicos: a repercussão da campanha da Vogue Brasil no Twitter

Pesquisa e post por Pricilla Farina Soares

Na quarta-feira (24), a Vogue Brasil (juntamente com o Comitê Paralímpico Brasileiro) divulgou em seu site e perfis de sites de rede social a campanha #SomosTodosParalímpicos, sobre o início das Paralimpíadas, que acontece entre os dias 07 e 18 de setembro. A campanha traz como destaque Cléo Pires e Paulinho Vilhena, embaixadores do Comitê Paralímpico Brasileiro, na pele de Bruna Alexandre, paratleta do tênis de mesa, e de Renato Leite, na categoria vôlei sentado, respectivamente. A campanha começou a repercutir porque Cléo Pires e Paulinho Vilhena apareciam com braço e perna amputados, em uma edição photoshopada, para dizer que todas as pessoas são Paralímpicas. Em seguida à publicação as pessoas começaram a questionar o porquê de não terem utilizado os/as próprios/as atletas na campanha, entre outros questionamentos.

A palavra “Vogue” chegou em seguida aos trending topics e nós fizemos uma coleta às 14 horas do dia 24 de agosto (“Vogue” chegou aos trending topics no meio da manhã deste dia). Coletamos no total 17.204 tweets, a fim de verificarmos o que as pessoas estavam falando sobre o assunto e que tipos de discursos estavam sendo construídos em torno da campanha que trouxe como destaque não os/as atletas, mas sim um ator e uma atriz com a ideia de que todos poderiam ser paralímpicos.
Abaixo temos o grafo gerado a partir dos 17.204 tweets coletados e os respectivos grupos formados em torno do termo “Vogue”. (clique no grafo para ver maior)

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Visualizando o grafo gerado em torno do termo podemos perceber que não há palavras de apoio sobre a campanha, ou seja, a rede como um todo considerou a ideia da Vogue como algo negativo. É uma rede dispersa, com destaque para cinco grupos que se formaram porque alguns tweets de perfis específicos foram amplamente retuitados. Fora destes grupos que serão analisados a seguir, a maioria dos tweets apenas citavam a campanha da Vogue e o “close errado” que a revista teria dado, já que não colocava os próprios atletas como destaque.
Dos grupos que aparecem com maior destaque na rede (quando maior a conexão, a linha, que liga um termo a outro, mais vezes as palavras foram citadas e mais conectadas elas estão umas às outras), o grupo em azul se refere a um tweet do perfil @Corotenho, e traz as palavras “amputar”, “photoshop”, “linda”, “prefere” e “Paola Antonini” (conforme figura abaixo): (clique na imagem para ver maior)

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Paola Antonini é uma modelo que aos 20 anos sofreu um acidente no qual um carro conduzido por uma pessoa embriagada esmagou sua perna esquerda contra outro carro que estava estacionado. Hoje, Paola utiliza uma prótese e continua trabalhando como modelo, conduziu a tocha olímpica em Minas Gerais e foi convidada a ser uma influenciadora das ações para mídias sociais dos Jogos Paralímpicos.

O tweet foi retuitado mais de 13 mil vezes e mais de 18 mil pessoas curtiram a postagem que trazia um comparativo de como a Vogue poderia ter realizado uma campanha com maior representatividade (ainda que este termo não tenha surgido nos tweets coletados). A ideia aqui é a de que ainda que não fossem atletas paralímpicos representando as Paralimpíadas, outras pessoas que fazem parte e entendem parte da realidade destes/as atletas poderia representar talvez melhor o evento do que simplesmente retirar no photoshop um membro de uma atriz e colocá-la como representante de um grupo o qual ela não faz parte.
Outro grupo de destaque na rede, o grupo amarelo, vem com os termos “racismo”, “deficientes”, “Michel Teló”, e “discriminação”, e também traz uma ideia comparativa, relacionando a campanha da Vogue à ideia, também muito criticada, do cantor Michel Teló que, ao tentar fazer uma campanha contra o racismo das redes sociais acabou publicando uma foto (e depois a excluindo e se desculpando) em que fazia blackface, uma prática teatral do século 19, considerada racista, que ocorria quando atores brancos se pintavam de carvão para representar personagens negros no palco (conforme figura abaixo). O tweet havia sido retuitado 1.200 vezes na rede até o momento da coleta. (clique na imagem para ver maior)

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O terceiro grupo em destaque, o grupo rosa, traz um tweet também bem propagado na rede, e os termos “photoshop”, “parabéns”, “heróicos” e “deficiência”. Aqui os termos “parabéns” e “heróicos” são usados como recurso de ironia, ou seja, a intenção era justamente de dizer o contrário daquilo que estava sendo dito. Ao invés do uso comparativo de ideias foi utilizado o recurso do humor para mostrar desaprovação. Conforme a figura abaixo é possível ver que a mensagem foi retuitada 1.488 vezes até o momento da coleta: (clique na imagem para ver maior)

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O outro grupo, em roxo, é mais central à rede, portanto, grupos mais variados retuitaram a mensagem e mais grupos utilizaram os mesmos termos relacionados aos tweets. O grupo tem como destaque os termos “Cléo Pires”, “editorial”, “modelos”, “cultura africana” e “Paulinho Vilhena”. O tweet é do site de humor Sensacionalista, portanto, novamente o humor é utilizado como ferramenta para ressaltar o que a maioria desaprovou. A mensagem diz “Após Paulinho Vilhena e Cléo Pires como deficientes, Vogue terá editorial sobre cultura africana com modelos escandinavos”. Além do recurso do humor o Sensacionalista também faz uso da comparação, novamente estabelecendo um comparativo em relação a outra forma de discriminação, o racismo (conforme figura abaixo): (clique na imagem para ver maior)

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Outros dois  grupos se destacam como mais referidos na rede, o grupo em verde, na parte abaixo, à esquerda do grafo, se refere ao próprio perfil da Vogue, o @VogueBRoficial , o perfil da @pires_cleo e a hashtag #SomosTodosParalímpicos. Relacionados ao grupo também estão as palavras “close”, “errado” e “merda”.

“Biel” também aparece relacionado ao perfil @naosejatrouxa (em vermelho), em um tweet que recebeu mais de 700 retuítes, que dizia “Foi o Biel que fez essa campanha da Vogue?”, estabelecendo uma relação sobre as diversas falas de Biel que causaram polêmica nos últimos dois meses (figuras abaixo): (clique na imagem para ver maior)

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Considerações:

Com esses pouco mais de 17 mil tweets pudemos verificar que havia um grande número de tetuítes de perfis específicos, mas que os discursos iam um ao encontro do outro. O uso do humor foi utilizado para demonstrar que a campanha não foi bem sucedida e, aliado aos recursos comparativos essa ideia ficou mais evidente, por isso os tweets comparativos sobre racismo. Houve uma relação muito forte de dois grupos que são estigmatizados socialmente, ainda que de maneiras diferentes e, ainda que representatividade não tenha sido uma palavra utilizada, a sua ausência foi percebida a ponto de serem estabelecidas comparações em relação a outros grupos estigmatizados, comparando a campanha da Vogue a casos de racismo ou a hipotéticas campanhas sobre cultura africana usando modelos escandinavos.

Em relação a grupos estigmatizados, estes se dividem em dois núcleos (GOFFMAN, 2008). Quando se trata de um estigma muito aparente, como um braço amputado, ou excesso de peso, este sujeito é um estigmatizado desacreditado, já quando ele não é tão aparente assim, quando não se tem um conhecimento prévio da diferença do sujeito, ele é um desacreditável.Os exemplos citaram os deficientes físicos e os casos de racismo que podem ocorrer, por exemplo, em campanhas que deixam de usar pessoas negras para campanhas contra o racismo. São estigmas desacreditados porque se percebe o motivo do estigma visualmente. Então, essa relação estabelecida entre os tweets pode demonstrar que as pessoas perceberam uma relação nessa falta de representatividade quando um grupo que não é estigmatizado (no caso o ator e a atriz escolhidos para a campanha) passa a representar grupos que são, de fato, estigmatizados e discriminados, ainda que a intenção seja a de promover o debate e a inserção dessas pessoas nos mais variados grupos sociais. O fato de praticamente só o perfil da Vogue Brasil utilizar a hashtag #SomosTodosParallímpicos demonstra que não há um reconhecimento na ideia elaborada na campanha por parte das pessoa daquela rede, já que sequer aqueles que participam da Paralimpíada estão inseridos na proposta.

Metodologia
Coleta: NodeXL
Formatação e filtro: Notepad++ e Textometrica
Formatação e análise: Gephi

#ErrarÉHumanoPersistirÉBiel

Pesquisa e post por Pricilla Farina Soares

Nesta semana, no dia 01 de agosto, diversos sites de notícias reproduziram uma matéria em que o cantor Biel fala, em entrevista gravada em vídeo para o Programa TV Fama da RedeTv!, que caso encontrasse pessoalmente a estagiária de jornalismo do site IG que o acusou de assédio, esclareceria o quanto, para ele, ela prejudicou sua carreira. Em junho, a repórter do IG foi assediada ao fazer uma entrevista com Biel, que entre outros comentários a chamou de “gostosinha” e disse que “a quebraria no meio”, caso mantivessem relações sexuais. Biel disse que tudo não passava de brincadeira.

O assédio repercutiu bastante em sites de notícias e, principalmente, nos sites de redes sociais. No dia 06 de junho o youtuber Felipe Neto divulgou um vídeo “Biel- Não Faz Sentido”, que na mesma data chegou aos Trending Topics. No dia 07 de junho a hashtag #CorrentedeAmordoBiel – atribuída aos fãs do cantor – também foi parar nos tópicos mais comentados do Twitter. Alguns dias depois, no dia 13 de junho, outra hashtag foi destaque no Twitter: #BielGostosinhaÉSuaIrmã. No dia 28 de julho o cantor foi novamente lembrado quando foi divulgado um vídeo seu, em uma festa de aniversário em que ele canta a frase pela qual foi acusado de assédio. A hashtag #BielRespeiteAsMulheres chegou, novamente, aos Trending Topics. Esta semana, o cantor reapareceu por meio da tag #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel no Twitter, desta vez com a repercussão de sua entrevista ao programa de televisão.

Hoje, nossa proposta foi fazer uma análise em torno da hashtag #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel, que surgiu após o depoimento de Biel de que a repórter (assediada por ele) havia prejudicado sua carreira como cantor, e quando usuários do Twitter começaram a publicar tweets antigos dele, entre eles comentários preconceituosos, machistas e racistas. Apesar desses tweets terem começando em função da nova publicação acerca do assédio sofrido pela repórter do IG, a rede que se formou em torno da tag não menciona o fato, já que o que a impulsionou para os TTs foram os prints dos tweets antigos de Biel.

Coletamos ao todo 37.533 tweets divididos em duas coletas no dia 02 de agosto, uma no turno da manhã e outra no turno da tarde. Na primeira coleta realizada no dia 02 de agosto, às 10 horas, coletamos os 18.900 tweets que originaram o grafo abaixo (clique na imagem para ver maior), que apresenta as co-ocorrências de palavras mais utilizadas.

grafo10h

Grafo 1. Dados da coleta #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel realizada às 10h

O grafo apresenta quatro clusters (grupo de tweets que se relacionam pelo conteúdo), mas que também se misturam. Em destaque verde podemos ver as palavras “carreira”, “acabou”, “micão” e “Taylor Swift”. O cluster em rosa está diretamente relacionado à cantora Taylor Swift, na qual os interagentes estabeleceram uma comparação sobre a cantora estar frequentemente envolvida em polêmicas no Twitter e com outros/as cantores/as. Os atores da rede dizem que “cada país tem a Taylor Swift que merece”, usando para isso recursos discursivos característicos do humor para tratar do assunto. Os termos “viciado” “imaginem” e “tweets antigos” também fazem referência sobre o cantor ser viciado em pagar micos. Os atores da rede também estariam imaginando como Fátima Bernardes, Luciano Hulk e Danilo Gentili veriam os tweets antigos de Biel, já que um tempo após os ter criticado ele acabou participando dos programas dos três apresentadores.

A palavra “carreira” está presente em toda rede e os interagentes ficam a todo momento afirmando que a carreia de Biel acabou, por isso a relação dos termos “micão” e “povo”, com tweets sobre o fato do povo “não perdoar”, não deixar passar em branco. Com menos destaque aparecem as palavras “nojo”, referindo-se não necessariamente às ações do cantor, mas sim a ele e às fãs que ainda o defendem. Ao contrário das hashtags anteriores, em que parecia haver uma disputa entre fãs e quem estava criticando, desta vez a disputa não ocorre. As palavras “moleque”, “falsiane” aparecem e, isolados da rede (em vermelho no Grafo), os termos “falsinha” e “escroto”. No cluster em vermelho no canto direito, aparecem os termos “falsa”, “falsianes” e “falsidade”. A palavra “Twitter” também surge e as pessoas parecem comemorar como o fato está sendo encarado no site de rede social.

Os antigos tweets de Biel contém comentários machistas, sexistas e racistas, muitos utilizando o humor para suavizar seu discurso. Além dos tweets há a própria situação no qual o cantor é acusado de assédio e, em mais uma entrevista afirma que a repórter foi quem prejudicou sua carreira. Entretanto, na maioria dos tweets o termo “micão” aparece com destaque, suavizando de certa forma os discursos proferidos pelo cantor – seja em entrevistas, por meio das acusações ou no perfil do Twitter – e dizendo se tratar apenas de uma série de micos que prejudicaram a carreira de Biel.

Na segunda coleta feita também no dia 02 de agosto, às 14h45, coletamos 18.633 tweets sobre a hashtag #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel. A segunda coleta apresenta diferentes grupos temáticos, não é uma rede densa e há clusters bem separados, com diferentes focos, ainda que haja a manutenção dos discursos sobre os tweets antigos de Biel. (clique no grafo para ver maior)

14h45m

Grafo 2. Dados da coleta das 14h45min

Há muitos perfis sendo retuitados nesta nova rede, mas os termos “carreira” e “Twitter” seguem com nós maiores, ou seja, continuam sendo muito utilizados. O termo “tag” surge relacionado a “Twitter” e “momento” porque as pessoas ainda comemoram como a tag está sendo disseminada no site e como as pessoas estão empenhadas em contribuir para mostrar os “micos” de Biel (as menções sobre “berro” e “berrando” logo acima são de comemoração sobre a tag estar nos TT’s). O cluster em verde traz os termos “close errado”, “internet”, “micão”, “vídeo” e “hoje” porque muitos interagentes estavam debochando do cantor e dizendo que “no vídeo de hoje” (simulando uma abertura de vídeo) eles ensinariam, com Biel, a como pagar mico na internet. O termo “close errado” aparece como sinal de desaprovação.

O cluster em amarelo relaciona “menino”, “corpo” e “respeito”, com tweets reprovando um tweet antigo de Biel no qual o cantor afirma que mulheres que usam roupas decotadas não se dão ao respeito, e dizem que o cantor é só um menino que usou o corpo para aparecer. Em razão de todas suas polêmicas muitas pessoas disseram que Biel não merece respeito, por isso a presença do termo na rede. O outro cluster também o chama de “lixo humano” e as pessoas dizem não entender como as fãs o defendem.

O cluster em roxo/vermelho tem as palavras “estupraria”, “mulher” e menções ao apresentador Luciano Huck porque as pessoas estavam direcionando à fala a ele, perguntando o que Huck achava do tweet antigo de Biel afirmando que ele estupraria sua esposa. Ao lado há um cluster em rosa que tem o termo “cair” e menções a um perfil. O termo refere-se ao comentário de @otariano, de que Biel havia deixado cair seu cérebro. O cluster em roxo, na parte mais afastada do grafo são tweets falando sobre pessoas que ainda reclamam de ter amigas falsas – aqui o uso exclusivo do feminino talvez indique um discurso de competitividade entre mulheres – fazendo uma comparação com a falsidade de Biel.

Os destaques da rede continuam sendo os “micos” de Biel, já que os comentários fazem referência à sua falsidade – o termo “falsiane” aparece novamente – e comentários sobre sua falta de talento também surgem. Novamente o foco é dizer que sua carreira acabou, que ele é um lixo humano e que não cansa de pagar mico. Parece haver uma divisão entre tweets que estão levando o assunto com humor, tratando tudo como um “micão” (cluster verde) e outros que não entendem quem o defende e o classificam como “lixo humano”.

Foram mais de 100 mil tweets ao longo do dia 02 de agosto com a hashtag #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel e, após a reprodução de inúmeros prints de tweets antigos, Biel bloqueou suas contas no Twitter e no Instagram, o que gerou mais uma série de comentários. Além das próprias questões sobre o assédio, os depoimentos de Biel sobre as acusações e o fato de a cultura do estupro estar tão enraizada a ponto de ser naturalizada, o fato desta hashtag ter entrado nos Trending Topics em função da reprodução de tweets antigos traz à tona questionamentos sobre o que é dito online e as características próprias das redes sociais online, como a perenidade dos discursos, a buscabilidade e a apropriação daquilo que foi dito por outros interagentes.

Metodologia
Coleta: NodeXL
Formatação e filtro: Notepad++ e Textometrica
Formatação e análise: Gephi

 

#EstuproNãoéCulpadaVítima: a hashtag que viralizou nas redes e sua repercussão no Twitter

Pesquisa e post por Letícia Schinestsck

A publicação de um vídeo apresentando imagens de uma adolescente desacordada, nua e cercada por homens, no Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais no dia 25 de maio. A jovem, ao prestar depoimento à polícia, afirmou ter visto, ao acordar, 33 homens ao seu redor. Com o caso, houve grande repercussão sobre o ocorrido, que levou a manifestações online e presenciais de mulheres e também homens em todo o Brasil e até internacionalmente.

Levando em conta que um dos focos de pesquisa do Grupo MIDIARS, o discurso da violência simbólica e de gênero, buscamos apresentar neste post a síntese de uma investigação sobre o movimento que emergiu na rede por meio da hashtag #EstuproNãoÉCulpadaVítima, que teve forte apoio e solidariedade à menina e a casos diários de violência contra a mulher, e segue acompanhando manifestações online sobre assédio às mulheres. O compartilhamento das imagens causou revolta e indignação, mas também contou com comentários que refletem a mulher, vítima, como culpada de seu próprio assédio, responsável pelo que acontece nesses casos. Assim, objetivamos coletar e apresentar ambos e demais discursos para entendermos em parte como foram constituídos os tweets em torno deste assunto e como está disposta a violência discursiva contra as mulheres neste caso. Também nos interessa observar os discursos dominantes em cada grupo e identificar os pares de palavras que aparecem mais juntos em cada cluster e qual a sua frequência.

Para isso, analisamos o uso da hashtag no Twitter no dia 27 de maio, com dados coletados às 18h30min. São observações relativas somente ao momento da coleta e aos 17.578 itens analisados, não generalizando todos os dados relativos à tag em nossa conclusão. O método de análise que utilizamos foi, resumidamente, a coleta pelo NodeXL Pro, a formatação e filtro de palavras pelo Textometrica, e a leitura dos dados e formatação da distribuição dos grafos pelo Gephi. A partir dos grafos prontos através desses softwares pudemos observar a aproximação de palavras e entender como os termos se conectaram entre si nos discursos em torno da hashtag naquele momento na rede.

Separação por Clusters

A primeira imagem apresenta a separação dos grupos discursivos por clusters, ou seja, por aqueles atores que conectam outros atores dentro da rede.  (clique na imagem para ver maior)
Imagem1_Grupos_1

Figura 1. Separação dos grupos discursivos

Os grupos separados em cores concentram discursos que, apesar de pertencerem a grupos distintos, estão interconectados. Observando os dados no NodeXL, a maior parte dos grupos forma um misto de relatos de situações vividas por mulheres e suas experiências individuais e coletivas que apontam o assédio e demonstram revolta e desprezo para com opiniões que têm emergido na rede, aquelas que tentam justificar o que aconteceu pelas atitudes e estilo de vida da própria vítima. Ainda assim, há a separação de grupos que defenderam a causa da menina, do feminismo, protestando contra o machismo e a cultura do estupro; e também aqueles que fizeram o oposto, expondo a adolescente como culpada pela situação, ou então emitindo opiniões contrárias às do movimento feminista na rede.

Organizamos uma tabela com as principais palavras usadas em cada grupo, seguida do número de vezes em que foi utilizada a fim de facilitar a visualização dos discursos predominantes em cada cluster.  (clique na imagem para ver maior)

Imagem2_tabela

Percebe-se o quão próximos se encontram as expressões, embora façam parte de grupos distintos. A discussão dos grupos parece girar em torno das causas de estupros e as justificativas usadas pelos outros para abrandar ou legitimar a violência, como o par de palavras do G2 (roupa + curta) e G3 (justifica + estupro). O destaque é para a mobilização que dá nome à hashtag #EstuproNaoÉCulpaDaVitima que, no G1, apresenta informações específicas do caso do estupro no Rio de Janeiro, como a dupla “30 + homens” e o que diz respeito ao culpado, lembrando que há uma tendência de culpabilizar os outros e escolher sua sentença junto ao coletivo, como veremos ainda. No G4 também é possível identificar o debate em torno de “causas + estupro”. Já o G5 apresenta uma situação específica de um tweet publicado pelo Usuário7 e repudiado por muitos internautas, como é possível visualizar no grafo.

Um exemplo do grupo discursivo que defendia a menina foi o tweet de @Usuário1, que tem mais de 620 mil seguidores no Twitter. (clique na imagem para ver maior)
Imagem3_tweet

O discurso de @Usuário1 é exemplo do valor que predomina na rede no momento da coleta. O G1, representado na imagem em azul enfatiza a discussão em cima da cultura do estupro; o G2, azul claro, lembra a questão da roupa e de bandeiras levantadas por deputados polêmicos como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, que foram criticados pelo repúdio aos homossexuais e conformidade com o caso em que uma menina de 16 anos foi supostamente agredida sexualmente por, no mínimo, 30 homens. “@UsuárioX: Ninguém MERECE ou PEDE pra ser estuprada!!! Não existe JUSTIFICATIVA pra essa catástrofe. Deixa de ser IMBECIL!!! #EstuproNaoÉCulpaDaVitima”, diz um internauta. Outro usa o próprio caso da jovem carioca para expressar sua indignação “@UsuárioY: “Se ela era piranha o problema é dela, nada justifica um estupro, nem 1 nem de 33 homens” -Meu Pai! #EstuproNaoÉCulpaDaVitima Cada um a sua maneira, mas todos os clusters naquele momento pareciam sustentar a ideia de que nada justifica o estupro.

Com o NodeXL tivemos uma ideia do tipo de discurso que circulava em cada grupo no momento da coleta. Ao todo foram 224.994 palavras, sendo as principais, como já havíamos apontado, a hashtag #EstuproNãoÉCulpaDaVitima (11.275 vezes), seguido das palavras “estupro” 2.979 vezes), “pode” (1.769), “nada” (1.587 vezes) e “justifica” (1.284), reforçando nossa conclusão de que a rede replicava tweets e discursos que desconstruíam qualquer tipo de justificativa para o ato.

Com a breve visão geral sobre a separação dos grupos discursivos na rede, passamos a observar a rede em sua estrutura de conteúdo. Para isso, apresentamos então os grafos com representações das palavras mais citadas, como elas co-ocorrem e se conectam na rede. Nesta etapa, analisamos o mesmo corpo de dados, isto é, os 17.578 tweets publicados com a hashtag #EstuproNãoÉCulpaDaVitima.

O primeiro grafo (clique na imagem para ver maior) representa os dados de co-ocorrências de palavras ligadas a #EstuproNãoÉCulpadaVítima, no momento da coleta em 27 de maio:  (clique na imagem para ver maior)
Imagem4_Grafo1

Grafo 1. Distribuição das co-ocorrências de palavras 

Ressaltamos em verde a forte conexão entre as palavras “homens” e “medo”, e vemos em laranja “mulheres” e “estuprada”, também relacionadas a “roupa” e “estupram”. Em verde, “medo” também é ligado a “sozinha”, apresentando o sentimento comum entre muitas mulheres quando precisam andar sozinhas na rua em horários e locais não propícios à segurança. Um exemplo deste discurso é o retweet:

“Vcs homens nunca vão entender o medo de quando um carro começa a diminuir a velocidade e para pra falar gracinha. #EstuproNaoÉCulpaDaVítima”.

Em roxo, o termo “cultura” é associado a “justifica”, com discursos que entendem que apesar da cultura presente na sociedade, nada serve como justificativa para o estupro. Muitas figuras públicas, especialmente políticas, se posicionaram contra a cultura do estupro. O deputado Jean Wyllys, por exemplo:

RT @jeanwyllys_real: Manifesto contra a cultura do Estupro: não se cale diante de uma violência. https://t.co/4GI4zzejZ7 #EstuproNaoÉCulpaDaVitima

E também a Presidenta Dilma Rousseff, que através da hashtag e de um link para o Facebook do perfil de Dilma Bolada, personagem satírico da mesma, buscou esclarecer o que é, afinal, a cultura do estupro:

“RT @diImabr: O que é a cultura do Estupro? https://t.co/tF9Uk9xC4S #EstuproNaoÉCulpaDaVítima”.

Para a melhor visualização dessas conexões discursivas, apresentamos um grafo normalizado, criado a partir dos mesmos dados, porém com distribuição diferente de nós:  (clique na imagem para ver maior)
Imagem5_Grafo2

Grafo 2. Distribuição das co-ocorrências de palavras em 27/05/2016

Observando a estrutura dos grafos, observamos que existe forte relação entre discursos que associam a questão das vestimentas com estupro de mulheres. Esse tipo de tweet/comentário dá manutenção a valores historicamente construídos e transmitidos pelas relações sociais, seguindo o pensamento de Bourdieu. Ilustramos essa ligação com o tweet a seguir:

“Meu corpo nunca pediu pra ser estuprado e eu uso a roupa que eu quiser! #EstuproNaoÉCulpaDaVitima”.

Mais aparente no segundo grafo, percebemos em roxo a relação de “Spotify” com “Vítimas”, intermediada pela hashtag em questão. Essa conexão entre os termos se explica pelo lançamento de uma playlist feito pelo aplicativo Spotify no qual o nome de cada música, quando lido na sequência, formava uma mensagem contra o caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro.  (clique na imagem para ver maior)

Imagem6_TweetSpotify

A discussão sobre as vítimas aparecem em manifestações como no tweet a seguir:  

Imagem7_Tweet3

Também em roxo, a ocorrência de “Ajuda” se refere principalmente a um acontecimento em que o usuário publicou a opinião que dizia preferir o termo “Sexo Surpresa” a “Estupro” e depois deletou, causando muita indignação em perfis femininos, que replicaram o que foi dito junto a um novo tweet do usuário Se é pra ajudar, ajuda de verdade. #EstuproNaoÉCulpaDaVitima”. Muitas usuárias questionavam o jovem, o qual, pelas acusações, parecia manter uma imagem pública com vídeos na própria plataforma, se era desta forma que ele estaria ajudando a situação. Cabe aqui observar que este foi um caso de um indivíduo que teve seus dizeres passados expostos em forma de provas (printscreen/imagem de tela), mesmo após ter deletado da internet a publicação em questão.

Num intermédio entre os grupos em laranja e roxo, o conceito “estupram”, na sua própria forma ortográfica – terceira pessoa do plural – indica do que se fala. Quem estupra: “eles” estupram, pois, segundo os tweets da coleta analisada, “Roupas curtas NÃO estupram. Em razão do que observamos, nem bebidas ou horários, os que estupram são pessoas e olhares que intimidam as mulheres, instigadas a se posicionarem na rede sobre o acontecimento que, apesar de ter origem no que aconteceu a uma jovem, é realidade que envolve a identidade e a história construída por todas elas.

Ao mesmo tempo em que a rede atua para agrupar movimentos e articular causas como essa, em que os direitos da mulher é defendido, também é palco da loucura coletiva, da qual Ronson fala. São situações em que os indivíduos perdem totalmente o controle e uma espécie de loucura contagiosa toma os usuários. Esse tipo de comportamento tende a facilitar os julgamentos e manifestações tão violentas como a causa inicial. O estupro coletivo de que falamos serviu como o pontapé inicial para um amplo debate sobre o tema estupro na sociedade brasileira, especialmente alertando para a existência de uma “cultura do estupro” que, embora sentida na pele diariamente por muitas mulheres, nem sempre são reconhecidas como um tipo de violência e assédio.

Finalizamos esse post com o que foi dito pelo mesmo autor, Ronson, em seu livro Humilhado:  “No Twitter, tomamos nossas próprias decisões sobre quem merece ser destruído. Formamos o próprio consenso, e não somos influenciados pelo sistema de justiça criminal ou pela mídia. Isso nos torna assustadores.” (P.200).  

Independentemente do nível do julgamento e de cada usuário, que sugere múltiplas vinganças para o acontecimento, destacamos a maneira com que a situação foi recebida e reverberada pelos usuários. Vemos que as redes sociais têm servido como palco para que acontecimentos assim, delicados, porém frequentes e ainda pouco debatidos ganhem espaço. A partir de uma mesma hashtag, tivemos acesso à múltiplas narrativas e valores de distintos coletivos que, apesar de singulares estavam representados pela hashtag, que Malini e Antoun (2013) chamam de assinatura. Um ponto comum, uma identidade/assinatura única, que ramifica-se e deixa à mostra, pela rede, a diversidade de narrativas existentes.

Podemos dizer que, ao menos naquele momento, a rede não se mostrava passiva e conformada com o que estava acontecendo. Pelo contrário, o estupro coletivo foi somente o gatilho para que #EstuproNãoÉCulpaDaVítima fosse apropriada e a cultura do estupro na sociedade atual fosse concebida como uma realidade e questionada como tantos outros fatos de interesse público nos quais a rede serve como ponte, como o hub que junta e organiza as informações e os pontos de divergência existentes nas relações atuais.

Metodologia
Coleta: NodeXL
Formatação e filtro: Notepad++ e Textometrica
Formatação e análise: Gephi